Saúde   |   10/04/2018   |   442 visualizações

Sabemos, cada vez mais, a respeito da relação direta entre sobrepeso/obesidade e o risco aumento para surgimento de diversos tumores.

Uma importante pesquisa publicada recentemente no Reino Unido mostrou que, dos 21 tipos de câncer mais comuns naquela região (incluindo-se o de vesícula biliar, não tão frequente, mas fortemente ligado à deposição de gordura em região abdominal), pelo menos dez deles apresentavam clara associação com o excesso de peso: mama, endométrio (útero), colo do útero, ovário, rim, vesícula biliar, fígado, cólon (intestino), tireoide, além de leucemias.

Entre os muitos mecanismos capazes de explicar essa elevada frequência de diferentes tipos de neoplasia (câncer), temos conhecimento de que os adipócitos, as células de nosso corpo responsáveis por armazenar gordura, aumentam a produção de proteínas inflamatórias (as adipocinas) e alguns hormônios, como a leptina, justamente quando há sobrepeso/obesidade.

Tanto os hormônios citados anteriormente como as proteínas inflamatórias, quando em excesso na vigência de sobrepeso/obesidade, acabam por promover possíveis multiplicações de células tumorais (e, por consequência, o surgimento de cânceres). Essas células inflamatórias ainda impedem que o sistema imunológico combata eventuais células anormais (ou seja, com potencial de malignidade), uma vez que elas mesmas induzem nossas células de defesa a entrar em um mecanismo de autodestruição.

A gordura em excesso também é responsável por elevar as taxas de conversão hormonal no organismo, o que faz com que os hormônios femininos, nesse caso aumentados, facilitem a proliferação de células cancerosas, principalmente em órgãos-alvos como útero (câncer de endométrio é o mais afetado pela obesidade, segundo o estudo britânico com aproximadamente 40% de seus casos ligados a ela de modo direto) e mama.

Já quanto a locais como fígado e vesícula biliar, as moléculas de gordura se infiltram nesses próprios órgãos, gerando ao longo do tempo inflamação e o aparecimento de cânceres, além do maior risco de doenças cardiovasculares.

Além de todos os prejuízos já relatados, particularmente em relação à insulina, como se já não bastasse o enorme dano causado pela resistência periférica de nosso organismo à sua ação (o que é frequente em casos de sobrepeso/obesidade), os níveis persistentemente aumentados do hormônio podem criar um ambiente propício ao desenvolvimento de tumores. Soma-se a isso o fato de a própria hiperglicemia, por si só, uma condição comum a obesos, já se relacionar à produção de radicais livres e estresse oxidativo (ataque ao DNA por essas moléculas nocivas e, por consequência, maior risco de alterações cancerígenas).

Obesidade: uma verdadeira epidemia

Estamos acostumados a falar sobre obesidade como um enorme problema de saúde pública em países como os Estados Unidos. No entanto, atualmente também o restante do continente americano, representado pela América Latina, enfrenta uma verdadeira epidemia de casos tanto de sobrepeso bem como obesidade, com números superiores a outras regiões de países em desenvolvimento. Países como Brasil, México e Venezuela, que num passado não muito distante tiveram a subnutrição como seu maior desequilíbrio nutricional, hoje em dia apresentam mais da metade de suas populações adultas nas faixas de sobrepeso ou obesidade.

Obesidade e Câncer: um alerta

 

Felizmente, alguns países já iniciaram uma luta contra o problema, a exemplo do México e Chile, que adotaram políticas públicas para a redução e o controle do sobrepeso e da obesidade. O México criou, em 2014, um imposto especial de consumo – um peso (moeda corrente do país) por litro, em bebidas açucaradas – que, em dois anos, levou à redução de 8% nas vendas desses produtos. Já o Chile normatizou, nos rótulos frontais de alimentos e bebidas industrializados, um modelo de advertência que informa aos pais e consumidores a presença de altos teores de açúcar, sódio, gordura trans e calorias.

A obesidade figura como a doença crônica que mais cresce nesses países nos dias atuais, causando diversos outros distúrbios, entre eles hipertensão arterial, diabetes tipo 2, dislipidemias (colesterol alto), infarto do miocárdio (coração), acidente vascular cerebral, trombose em membros inferiores (pernas), além de considerável mortalidade.

Algumas das causas desse problema crescente são:
➡ preferência por alimentos industrializados, processados, em sua maioria ricos em açúcar;
➡ baixo consumo de proteínas, em comparação às quantidades de carboidratos, por exemplo;
➡ ingestão insuficiente de fibras, através das verduras, legumes, frutas;
➡ baixo consumo de gorduras mono/poliinsaturadas, a partir de alimentos como azeite de oliva, oleaginosas (noz, amêndoa, castanha do Pará, castanha de caju, macadâmia, pistache, castanha de baru), abacate;
➡ realização por uma pequena parcela da população geral de atividades físicas regulares, sejam elas de força ou aeróbicas, o que minimizaria o surgimento de doenças crônicas como consequência da obesidade.

Gordura abdominal x câncer mama

Pesquisas recentes têm associado cada vez mais o acúmulo de gordura na região abdominal de mulheres menopausadas (após a menopausa) a um risco mais elevado de câncer de mama, que representa o tumor mais frequente entre o sexo feminino tanto no Brasil como em todo o mundo.

Obesidade e Câncer: um alerta

Isso acontece pelo fato de mulheres já nessa fase da vida reprodutiva terem na aromatização (processo através do qual hormônios androgênicos dão origem a estrogênio) uma das poucas formas de obtenção desse hormônio, uma vez que a produção de estrogênio pelos ovários diminui consideravelmente nesse período da vida.

Dessa forma, em mulheres menopausadas obesas, o mecanismo de aromatização ocorre de modo excessivo, em razão de o tecido adiposo/gorduroso, aumentado nesses casos, ser justamente um dos locais onde essa conversão hormonal se realiza.

Por consequência, com maiores níveis circulantes de hormônios estrogênicos, acontece maior proliferação das glândulas mamárias, podendo porventura surgir células malignas/cancerosas durante esse processo aumentado de divisão celular.
Dessa forma, pelos motivos apresentados acima, mostra-se de fundamental importância o controle do peso corporal para mulheres em idade adulta nos períodos pré e pós-menopausa, não só visando à redução de seu risco cardiovascular global, mas também da incidência do câncer de mama.

Além desse fator de risco, que devido à epidemia de sobrepeso/obesidade exerce uma importância cada vez mais fundamental, outras condições também podem determinar uma maior chance de ocorrência desse tipo de câncer, sejam elas genéticas, hormonais ou mesmo ambientais:

  • histórico familiar de câncer de mama e/ou ovário, principalmente se em parente de primeiro grau com menos de 50 anos de idade;
  • primeira menstruação precoce;
  • menopausa tardia, ou seja, após os 55 anos;
  • não ter tido filhos;
  • não ter amamentado;
  • primeira gestação após os 30 anos;
  • sedentarismo;
  • abuso de bebidas alcoólicas;
  • exposições repetidas a radiações ionizantes, tais como raios-X.

Por todos esses riscos atribuídos ao sobrepeso e obesidade é fundamental que adotemos hábitos alimentares e um estilo de vida cada vez mais saudáveis, para a manutenção do peso em seus valores normais, assim como controle dos problemas de saúde secundários a eles.
Obesidade e Câncer: um alerta
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